Associação recebe segunda mulher catraieira durante o Festival da Catraia em Alter do Chão
20/02/2026
(Foto: Reprodução) Irivanilda Alves faz estreia como catraieira no Festival da Catraia em Alter do Chão
Tainá Rionegro/Instituto Regatão
Domingo (22) será um dia histórico para a Associação dos Catraieiros da Vila de Alter do Chão (ACVAC), em Santarém, oeste do Pará. Na data da abertura do Festival da Catraia, edição 2026, a entidade recebe a segunda mulher catraieira da vila. O feito ocorre quase 46 anos após a criação da associação que reúne cerca de 100 associados.
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Irivanilda Alves, 48 anos, cresceu vendo o pai desempenhar o ofício de catraieiro com muito orgulho, mesmo em um tempo em que a atividade ainda não era reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Santarém. Ter acompanhado o trabalho do pai, foi uma das motivações da atleta de futebol para seguir a mesma profissão.
"A minha principal motivação foi dar continuidade no legado do meu pai, que foi catraieiro e criou 9 filhos com o trabalho da catraia. Além disso, incentivar outras mulheres e meninas a tomar coragem e virar catraieira para defender o rio", disse Irivanilda Alves, que há 6 anos é membro da ACVAC.
Criada oficialmente em 22 de fevereiro de 1980, a associação nasceu da prática espontânea de canoeiros que atravessavam moradores e visitantes muito antes da formalização da entidade. A condução era feita em catraias de madeira, com remos artesanais esculpidos a partir de espécies como tapiririca, marupá e envira-preta, saberes transmitidos entre gerações.
Ao longo das décadas, a atividade se consolidou como fonte de renda sustentável, mobilidade e integração social, tornando-se também exemplo de empreendedorismo popular e turismo de base comunitária, com baixo impacto ambiental e forte vínculo territorial. Para os catraieiros, a embarcação vai além do transporte: é memória, pertencimento e identidade cultural.
“Começou como brincadeira de menino na beira do rio. A gente atravessava as pessoas por ajuda, depois virou trabalho. Hoje é o sustento de muitas famílias e parte da nossa história. A catraia é a nossa vida”, contou Gregório de Faria, catraieiro e um dos associados mais antigos da Catraia.
Atualmente, além de 100 associados, a entidade reúne dezenas de trabalhadores, formando uma rede comunitária que garante o transporte diário de passageiros e o funcionamento da economia local. Além do serviço de travessia, a entidade atua de forma autônoma na definição de regras coletivas, manutenção das embarcações e realização de ações comunitárias, como mutirões de limpeza da praia e apoio a atividades sociais.
O modelo de organização, baseado na cooperação e no cuidado com o território, levou ao reconhecimento dos catraieiros, em 2022, como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do município. Apesar disso, o grupo ainda enfrenta desafios como a falta de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo de base comunitária e à melhoria das condições de trabalho.
Catraieiros de Alter do Chão compõe a cena turística da vila balenária de Alter do Chão
Arquivo/g1
Festival da Catraia
O Festival da Catraia é um evento que comemora os 46 anos da Associação dos Catraieiros da Vila de Alter do Chão, organização responsável por manter viva uma das mais tradicionais formas de transporte fluvial da região do Rio Tapajós.
Em dois dias de programação, 22 e 28 de fevereiro, o festival contará com corrida de catraias, homenagens aos mestres e mestras do rio, torneios de futebol, shows musicais e atividades culturais abertas ao público, celebrando o trabalho cotidiano de homens e mulheres que garantem a travessia entre as margens da Ilha do Amor e Lago Verde.
O Festival da Catraia surge como estratégia de valorização cultural e fortalecimento institucional, com apoio do Instituto Regatão Amazônia, por meio das mentorias do Programa de Atiçamento Cultural.
“O festival nasce para reconhecer os catraieiros como trabalhadores da cultura e guardiões do território. Apoiar essa associação é fortalecer uma economia comunitária viva, que cuida do rio, gera renda local e mantém saberes tradicionais em movimento”, destacou a coordenadora executiva do Instituto Regatão Amazônia, Marlena Soares.
Programação geral
22/02 | Terminal dos Catraieiros – Beira do rio (aberto à comunidade)
7h – Café da manhã
8h às 10h – Corrida de catraias • Masculino: 500m (tilheiro ao terminal) • Feminino: 300m (depósito ao terminal)
10h – Premiação (R$ 300 | R$ 200 | R$ 100)
10h30 – Homenagens e encerramento
28/02 | Sede da Associação dos Catraieiros (Rua Pôr do Sol, nº 3 – Bairro Perfu – Alter do Chão)
7h – Alvorada e salva de fogos
8h – Parabéns à Associação e café da manhã
16h – Início da festa e torneio de duplas/pênaltis (prêmio: 1 porco) Futebol amistoso
18h – Luso Brasil x Catraia (até 35 anos)
19h – Santo Antônio x Catraia (Master 35+)
20h – Flactraia x Vascatraia (feminino)
Shows (16h às 4h): Fabricio Ferraz | Jefinho Voz + Roney e Banda | Roger Rodrigues | DJ Allana.
Mais informações com os contatos: Antônio (93) 99209-9629 / Jaimenson (93) 99195-1738.
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