Casa d'Arraia é inaugurada em Manaus; projeto busca 'desvilanizar' arraias por meio do conhecimento
03/09/2026
(Foto: Reprodução) Casa D'Arraia no Bosque da Ciência: espaço foi inaugurado com aquários
Foi inaugurada nesta quinta-feira (3) a Casa d’Arraia, exposição permanente ligada ao projeto Arraias do Bosque, no Bosque da Ciência, dentro do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus. O projeto é do pesquisador Lucas Castanhola, coordenador de pós graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior no INPA e busca "desvilanizar" a arraia no imaginário das pessoas.
O local conta com aquários expositivos para abrigar até oito arraias vivas, além exemplares conservados das espécies e recursos educativos voltados à divulgação da ciência. O projeto também prevê materiais de apoio e atividades de extensão, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação na mediação científica e em ações de educação ambiental.
“As pessoas terão acesso a informações científicas de maneira mais acessível e dentro dessa exposição imersiva, onde elas terão contato com os animais que são da nossa região amazônica. É uma forma de tentar desvilanizar, desestigmatizá-los”, disse Castanhola.
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A bacia amazônica é a região que concentra a maior parte das espécies de arraias existentes na América do Sul. No total, são 22 espécies amazônicas, de 38 espécies de arraias registradas atualmente no continente. Ainda segundo o pesquisador que coordena o projeto, as arraias possuem um importante papel ecológico no controle populacional de animais aquáticos:
“Elas são mesmo predadoras. Elas atuam principalmente no controle populacional de insetos aquáticos, pequenos peixes e a deleção dela de um ecossistema dá muito prejuízo, porque aí vai ter uma superpopulação de outros animais. Então ela tem esse papel ecológico, assim como todas as espécies”, explicou.
Arraias são, em sua maioria, animais de comportamento sedentário, e muitas vezes podem ser vistas enterradas no fundo de corpos d'água.
Marcela Orquiz/g1 AM
Após a cerimônia de inauguração, a exposição foi aberta para visitação pela primeira vez. O diretor do Inpa, Henrique Pereira, destacou o acesso ao conhecimento como um dos principais atrativos.
“Nós queremos desvendar para todo o público a beleza desse grupo de animais, que muitas vezes no imaginário de todos nós traz um sentimento de se afastar, de perigo. Vocês vão ficar muito impressionados com quanto conhecimento está concentrado num espaço tão reduzido”, discursou o diretor do INPA.
O novo espaço fica aberto para visitas de terça-feira à sexta-feira entre 9h e 12h, e depois entre 14h e 17h. Aos sábados e domingos, o horário de funcionamento é de 9h a 17h. O parque fica fechado às segundas-feiras.
Ciência e arte lado a lado
Casa d'Arraia será espaço destinado a estimular visitantes do Bosque da Ciência a aprender sobre as arraias da Amazônia.
Marcela Orquiz/g1 Amazonas
Quem for visitar o local dará início a uma experiência imersiva que une arte e ciência logo na entrada. A estrutura que abriga a exposição ganhou um mural feito pelos artistas visuais Juliana Lama e Alessandro Hipz.
O trabalho levou cerca de um mês para ser feito. A arte do mural representa 12 das 22 espécies de arraias que existem na Bacia Amazônica, complementada por retratos inspirados na atriz indígena Gaby Moraes.
“A oportunidade que a gente teve aqui de se aprofundar nas pesquisas que estão sendo feitas, e no papel ecológico da arraia, foi o que encantou a gente para produzir essa obras, e colocar nesse lugar da beleza. […] Espero que a gente consiga olhar pra essa relação gente-bicho, do bicho que olha para a gente ao mesmo tempo que o humano olha para o bicho; a gente enfatiza essa relação”, explicou Juliana Lama.
Visitantes fazem fila para observar a exposição.
Marcela Orquiz/g1 AM
Exposição na parte interna da Casa d'Arraia possui quadros informativos sobre o comportamento de arraias na natureza, em busca de desestigmatizar o animal.
Marcela Orquiz/g1 AM
Arraias preservadas em exposição.
Marcela Orquiz/g1 AM