Coação e tentativa de ocultar provas: como familiares de indiciado por agredir o cão Orelha tentaram interferir nas investigações

  • 05/02/2026
(Foto: Reprodução)
Orelha, cão de rua comunitário, é torturado e não resiste aos ferimentos A investigação que detalhou a agressão ao cão Orelha, que morreu devido à gravidade dos ferimentos na Praia Brava, em Florianópolis, foi marcada por coação e tentativas de ocultar provas por parte de familiares dos suspeitos segundo a Polícia Civil, que concluiu o inquérito nesta semana. Um adolescente foi apontado como responsável do ato infracional análogo ao crime de maus-tratos. O caso chegou à polícia em 16 de janeiro, quase duas semanas após a morte. Antes de identificar o jovem apontado como autor do ataque, outros adolescentes chegaram a ser considerados suspeitos. Três adultos — parentes desses investigados — foram indiciados por suspeita de coagir uma testemunha do caso. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O Ministério Público de Santa Catarina informou, nesta quinta-feira (5), que recebeu o relatório das investigações, analisado pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). À NSC TV, o advogado Alexandre Kale, representante legal do adolescente, declarou que há “fragilidade dos indícios”. Ele disse que não existem imagens do momento da agressão nem testemunhas que tenham presenciado o crime (veja mais abaixo). Cão Orelha morava na Praia Brava Reprodução/Redes sociais ➡️ Coação e tentativa de ocultar provas: como familiares agiram durante a investigação? Segundo a Polícia Civil, familiares tentaram intervir de algumas formas na investigação. Veja abaixo os pontos citados pelos delegados Renan Balbino, da Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE), e Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal (DPA): 1. Coação de testemunhas Durante o inquérito, a Polícia Civil identificou tentativas de coação a testemunhas por familiares de um adolescente. Três adultos foram indiciados por interferir no andamento do processo. Os nomes dos indiciados não foram revelados pelos delegados e a corporação informou que o crime foi cometido contra o vigilante de um condomínio que teria uma foto que poderia colaborar com a investigação da ocorrência. Coação é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes de um processo judicial – juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus, por exemplo – para tentar interferir no resultado. Pais e tio de adolescentes são indiciados por coagir testemunha na investigação da morte do animal Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina 2. Boné rosa usado no dia O adolescente apontado como autor da agressão é um dos jovens que estavam nos Estados Unidos durante parte das investigações. Quando voltou ao Brasil, no fim de janeiro, a polícia o abordou no aeroporto. Um familiar tentou esconder um boné rosa que estava com ele, mas a peça foi apreendida e identificada como a mesma usada no dia das agressões. "Durante a abordagem, chamou a atenção que um familiar tentou esconder um boné rosa na sua bolsa particular", afirmou a delegada Mardjoli Valcareggi. O advogado de defesa, no entanto, afirmou à NSC TV que a mãe do adolescente levou o boné para proteger o filho da multidão no aeroporto. "Quando chegou dentro da dependências da Polícia Federal, que tinha uma movimentação muito grande, com risco da integridade do rapaz, em respeito à Polícia Federal, ela guardou junto à bolsa dela", comentou. 3. Moletom apreendido A polícia também apreendeu um moletom na bagagem. Quando a delegada revistou a mala do adolescente, um familiar tentou justificar que o moletom havia sido comprado durante a viagem à Disney. Esse moletom teria aparecido em um vídeo que mostra o jovem saindo do condomínio onde estava hospedado às 5h25 e retornando às 5h58 do dia 4 de janeiro, acompanhado de uma amiga (imagem abaixo). O moletom e o boné foram apreendidos. A delegada explicou que as peças foram comparadas com as imagens que a investigação tinha do suspeito. Vídeo mostra adolescente indiciado por agressões ao cão Orelha saindo e voltando de condomínio no dia 4 de janeiro Divulgação/Polícia Civil de Santa Catarina O advogado argumenta que, se o adolescente tivesse algo a esconder, não traria a peça ao voltar ao Brasil. "E, realmente, teve dois moletons: um moletom preto, escrito em português, inclusive, que estaria na imagem que circulou no deck - não quer dizer nada que ele tenha matado só porque ele circulou naquele deck. E também outro moletom que ele traria dos Estados Unidos. Então, são coisas bem distintas", afirmou. LEIA MAIS: Caso Orelha: VÍDEO mostra adolescente voltando ao condomínio no dia das agressões; imagens expõem principal contradição da investigação Contradições e uso de moletom: os 10 pontos que ajudaram a polícia a concluir a investigação do cão Orelha Defesa contesta autoria A defesa do adolescente apontado como responsável pelas agressões ao cão comunitário Orelha divulgou um vídeo, na quarta-feira (4), que, segundo os advogados, mostra o animal caminhando pela vizinhança por volta das 7h do dia 4 de janeiro. Esse horário seria posterior ao período indicado pela Polícia Civil como o provável momento da agressão, estimado em 5h30. A delegada Mardjoli Valcareggi confirmou que o vídeo é verdadeiro, mas reforçou que a Polícia Civil nunca afirmou que o cão morreu logo após as agressões. Nas imagens, é possível ver dois cachorros na calçada. Orelha, que aparece à esquerda, sai de um arbusto e segue caminhando pela rua (assista abaixo). Vídeo mostra Orelha andando em calçada após horário estimado da agressão, confirma polícia VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/02/05/coacao-tentativa-ocultar-provas-familiares-interferencia-cao-orelha-investigacoes.ghtml


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