Comissão de Valores Mobiliários faz pente-fino em entidades ligadas ao grupo Master
06/02/2026
(Foto: Reprodução) Comissão de Valores Mobiliários faz pente-fino em entidades ligadas ao grupo Master
No caso master, a Comissão de Valores Mobiliários vai fazer um pente-fino em entidades ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro. O resultado dessa investigação pode trazer avanços nas regras de transparência e segurança das transações.
A CVM vai analisar as operações entre o Master, a gestora de fundos Reag e outras entidades. A comissão é responsável por supervisionar o mercado de capitais, assegurar a divulgação de dados confiáveis e garantir a proteção de investidores.
Segundo a CVM, um grupo de trabalho vai fazer a análise do material disponível, avaliando, quando cabível, melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional.
A Reag e o Master são investigados pela Polícia Federal por suspeitas de fraude contra o sistema financeiro. Técnicos do Banco Central identificaram que fundos administrados pela Reag foram usados em operações estruturadas para inflar artificialmente o patrimônio do Master.
Outra instituição investigada por envolvimento com o Master é o Banco de Brasília. O banco teve prejuízo de aproximadamente R$ 5 bilhões com a operação de compra de carteiras de crédito do Master. Por determinação do Banco Central, nesta sexta-feira (6), no fim do dia, a diretoria do BRB esteve no BC para apresentar um plano de recapitalização, com um cronograma para recompor o capital mínimo da instituição.
O Banco de Brasília é uma sociedade de economia mista de capital aberto - o acionista majoritário é o governo do Distrito Federal. Em nota, o BRB afirmou que as ações preventivas de recomposição de capital serão implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro. O banco não detalhou as medidas apresentadas, mas entre as alternativas estão a criação de um fundo de investimento com imóveis do governo do DF e o aporte de controladores — medidas que dependem de aprovação da Câmara Legislativa.
Comissão de Valores Mobiliários faz pente-fino em entidades ligadas ao grupo Master
Jornal Nacional/ Reprodução
Em outra frente, a PF investiga relações suspeitas do Master com fundos de pensão. Regimes próprios de previdência dos estados do Rio de Janeiro, do Amazonas e do Amapá, além de 15 municípios, aplicaram dinheiro no Master.
Nesta sexta-feira (6), em Macapá, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga os crimes de gestão temerária e de gestão fraudulenta na aplicação de recursos do regime de previdência do Amapá. A Amprev aplicou R$ 400 milhões em letras financeiras do Master. Uma operação considerada de alto risco e que não tem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
O diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, e mais dois conselheiros do comitê de investimento foram alvos de buscas na operação. Jocildo foi indicado para o cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União. Alcolumbre não foi alvo da operação desta sexta-feira (6) e, em nota, defendeu a apuração do caso com transparência e respeito ao devido processo legal.
O governo do Amapá declarou que a Amprev foi lesada pelo Master e que já ingressou na Justiça para receber de volta o dinheiro investido. O presidente da Amprev, Jocildo Lemos, disse que endossa a manifestação do governo do estado.
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