Dino suspende quebra de sigilo de empresária amiga de 'Lulinha' por CPI do INSS

  • 04/03/2026
(Foto: Reprodução)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino suspendeu nesta quarta-feira (4) a quebra dos sigilos bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela CPMI do INSS. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão atende parcialmente a um pedido de medida liminar da defesa, que alegou constrangimento ilegal após a comissão aprovar a medida em 26 de fevereiro. 🔎Na mesma ocasião, a comissão aprovou a quebra de sigilo de "Lulinha", o que gerou confusão entre os parlamentares e pedidos por parte dos governistas para cancelamento da votação — o que foi rejeitado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo o Supremo, a decisão não vale para outros pedidos de quebra de sigilo por parte da CPMI, como o de Lulinha (leia mais abaixo). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Dino determinou que, caso as informações sigilosas já tenham sido enviadas, elas devem ser preservadas sob sigilo pela Presidência do Senado Federal até o julgamento do mérito da ação. Ao fundamentar a decisão, o relator destacou que a aprovação de 87 requerimentos de forma conjunta — a chamada votação "em globo" — violou o devido processo constitucional. Segundo o ministro, embora as CPIs possuam poderes de autoridades judiciais, elas também estão sujeitas ao dever de fundamentação individualizada para cada medida invasiva. Dino ressaltou que a política possui regras próprias, mas que estas não podem ser maiores que a Constituição Federal, cabendo ao Judiciário garantir que investigações não se transformem em "fishing expedition" (pesca probatória) ou invasões desproporcionais à privacidade. A impetrante é alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Durante a sessão da CPMI, parlamentares da oposição chegaram a protestar contra a votação em bloco, argumentando que a sociedade precisava conhecer o embasamento de cada pedido para "distinguir o joio do trigo". Dino concordou com esse ponto, afirmando que o afastamento de direitos constitucionais não pode ocorrer "no atacado", sem o devido debate e motivação. Ministro do STF Flávio Dino em entrevista à TV Globo. Jornal Nacional/ Reprodução Novas deliberações Apesar da suspensão dos efeitos do ato, a decisão não impede que a CPMI realize uma nova deliberação sobre o caso. O ministro frisou que a comissão poderá realizar um novo procedimento, desde que cumpra os ritos de análise, debate e fundamentação individualizada para cada requerimento. O magistrado também pontuou que não há risco imediato à investigação, pois a investigada já é monitorada pela Polícia Federal sob supervisão do STF. O caso será agora submetido a referendo pelo plenário do Supremo.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/03/04/dino-suspende-quebra-de-sigilo-de-empresaria-amiga-de-lulinha-por-cpi-do-inss.ghtml


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