Ex-esposa de policial preso após ameaças de morte revela que sofria agressões há quase dez anos: 'Ficava em silêncio por vergonha'
15/04/2026
(Foto: Reprodução) Policial aposentado é filmado ameaçando ex-esposa de morte em Manaus
O policial aposentado Divoney Perosa, que ameaçou decapitar a ex-mulher, foi preso na última quinta-feira (9), mas por trás da prisão, há uma história de quase dez anos de agressões, ameaças e perseguição. Mesmo com medida protetiva, a vítima continuava sendo alvo. À Rede Amazônica, a ex-esposa do policial revelou os detalhes sobre a violência doméstica sofrida.
"Ele rasgava as minhas roupas, quebrava o aparelho de celular. Eu ficava calada, só chorava. Eu ficava em silêncio por vergonha", disse a vítima, que preferiu não se identificar.
Hoje, a mulher está com 27 anos. Conheceu o agressor há dez anos e logo foram morar juntos. Em pouco tempo, começou a rotina de agressões e humilhações.
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Ela ainda lembra como foi a primeira vez que foi agredida por não avisar o marido que comeria um lanche na rua.
"Quando eu cheguei em casa, ele me bateu. Nem cheguei em casa, na rua mesmo. Ele me pegou quando eu estava voltando, rasgou minha roupa e aí, por vergonha, eu entrei no carro sem roupa e aí ele começou a bater pela primeira vez. Inclusive nesse dia ele estava numa viatura de polícia. Eu lembro que foi a noite. Eu dormi. Quando eu acordei, parecia que eu tinha morrido. Foi uma sensação de morte. Eu não tinha forças pra levantar da cama", relatou a mulher.
Desde então, a violência não parou mais.
"A primeira vez e a partir daí, a partir daí, eu...posso dizer que eu acostumei com aquilo. Perdi as contas de quantas vezes me bateu".
Durante as agressões, o policial sempre tinha a mesma justificativa. "Ele disse que estava só tentando se defender, que eu estava louca."
Em setembro do ano passado, ela decidiu sair de casa. Divaney passou a segui-la em todos os lugares. A vítima registrou queixa na polícia e a Justiça determinou medidas protetivas, mas o policial não parou. Ele a abordava na rua e pedia para ela voltar pra casa.
A vítima bloqueou o ex-marido nas redes sociais, então ele mandava mensagens pra ela por Pix. Em uma das transferências, o policial diz para a vítima desbloquear o aplicativo, senão ele vai pedir para terceiros mandarem recados para ela.
Como não era atendido, passou a fazer ameaças. No início do mês, ele obrigou a ex-mulher a entrar no carro. Ela começou a gravar e as ameaças continuaram.
"Quando a gente terminar, eu vou te matar. Eu vou te matar, tô te falando. Pode gravar, manda lá pra Delegacia da Mulher pra aumentar minha condição restritiva. Eu vou te decapitar, vou jogar bola com a tua cabeça lá na frente", disse o agressor.
"Ele usava dessa dependência para manter essa menina com ele. E ele conseguiu durante esse longo período, mesmo ela tentando ali se desvencilhar dele por várias vezes, mas ele sempre atrás. Então ele ainda tem esse perfil também. Ele é perseguidor. Ele não deixava ela sair dessa relação", afirmou a delegada Patrícia Leão.
Agressões de policial aposentado contra ex-esposa foram filmadas por câmera de segurança.
Reprodução
Sequestro e outros processos
Divoney Perasa de Souza tem várias passagens criminais. Em abril de 2023, outra mulher o acusou de assédio e violência psicológica. Em janeiro de 2025, ele foi preso por extorsão e respondia o processo em liberdade.
Segundo a polícia, na semana passada, Divoney sequestrou a ex-mulher, mas foi perseguido pela irmã dela, que filmou a ação. O policial parou próximo da casa da mãe da vítima. Durante o trajeto, mais agressões e ameaças.
"Eu não acreditava nas ameaças dele, Eu nunca acreditei. Eu vi que era sério quando ele me pegou na rua e disse 'Eu tenho 60 anos, eu já vivi a minha vida, já realizei meu sonho, Você não tem nada a perder. Hoje tu vai morrer'", afirmou a vítima.
A mulher procurou a polícia no dia seguinte. A delegada Patrícia Leão pediu a prisão do agressor. Ele foi preso em Iranduba, quando se preparava para fugir.
Para a vítima, esta é a chance para começar uma vida nova.
"Eu era dependente e hoje eu me sinto curada. Hoje eu vejo que aquilo não era normal e por muitos anos eu pensava que aquilo era normal. Que era normal eu ser agredida, ser ofendida, ser dependente. No início eu achava que era um ato de carinho. Não queria que eu trabalhasse, nem estudasse. Dizia que ele ia me ajudar financeiramente, mas depois eu vi que aquilo fazia parte de plano. Eu nunca tive forças para sair, nem condições".
Em nota, a defesa de Divoney Perasa de Souza informou que vai se manifestar apenas sobre os fatos que constam oficialmente no processo, em respeito ao devido processo legal. Segundo os advogados, não há conhecimento formal sobre outras acusações divulgadas fora dos autos, por isso não irão comentar esses pontos. A defesa também afirma que o vídeo que circula é antigo e não tem relação direta com o caso que levou à prisão, além de contestar a suposta violação de medidas protetivas.
Policial aposentado Divoney Perasa de Souza está sendo procurado após ameaçar matar ex-esposa.
Divulgação/PC-AM