Justiça do Rio mantém condenação de segurança do bicheiro Bid pela morte do patrão
22/06/2026
(Foto: Reprodução) Seguranças do bicheiro Bid são condenados por seu assassinato
A Justiça do Rio manteve a condenação de Carlos Diego da Costa Cabral, segurança do bicheiro Alcebíades Paes Garcia, o Bid, pela morte do patrão. A defesa de Carlos apresentou recursos contra a pena de 29 anos e 11 meses de reclusão, que foram negados.
O relator do processo, desembargador Gilmar Augusto Teixeira, destacou que a defesa sustentava que o acórdão anterior teria sido omisso ao analisar alegada irregularidade na atuação do Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri (GAEJURI).
Ao rejeitar o recurso, a Câmara Criminal concluiu que a questão já havia sido examinada e afastada anteriormente, destacando que o pedido de atuação conjunta do grupo especializado foi formulado meses antes da sessão do júri, realizada em 11 de dezembro de 2025.
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Carlos Diego foi condenado junto com outro segurança em dezembro de 2025 pelo tribunal do júri. O crime foi em fevereiro de 2020, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Bid foi morto pelos próprios seguranças a mando de Bernardo Bello, rival na disputa por pontos de jogo do bicho na Zona Sul do Rio.
Alcebíades Paes Garcia, o Bid, foi morto em fevereiro de 2020
Reprodução/TV Globo
Thyago Ivan da Silva foi condenado a 25 anos e 8 meses de prisão em regime fechado e Carlos Diego da Costa Cabral recebeu pena de 29 anos e 11 meses de reclusão.
O tribunal do júri entendeu que o homicídio foi cometido mediante dissimulação, já que os réus foram contratados como seguranças da vítima, que acreditava estar protegida. A dupla não poderá recorrer em liberdade. A Justiça apontou que, uma vez livre, eles poderiam voltar para a vida do crime.
Bid era irmão do também contraventor Waldemir Paes Garcia, o Maninho, assassinado em 2004.
Bernardo Bello
Reprodução/TV Globo
O crime, segundo o Ministério Público
De acordo com os investigadores, o assassinato aconteceu em meio a "acirradas disputas pelo controle da exploração do jogo do bicho e máquinas caça-níquel" a partir da morte de Waldemir Garcia, o Myro, e do filho dele, Waldemir Paes Garcia, o Maninho.
Os procuradores afirmam ainda que os assassinatos de Maninho, em setembro de 2004, e o de Myro, cerca de um mês depois, desestabilizaram o controle dos pontos da contravenção. Isso teria causado uma "pulverização do poder e a escalada de violência" dentro da própria família.
O "espólio" do crime teria sido assumido pelos genros. De um lado, José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, que era marido de Shanna Harrouche Garcia. De outro, por Bernardo Bello, companheiro de Tamara Harrouche Garcia. As duas são filhas de Maninho.
Ainda de acordo com a denúncia, Zé Personal tinha como segurança particular Adriano da Nóbrega, o Capitão Adriano, chefe do grupo de extermínio conhecido como "Escritório do Crime".
Entretanto, Bernardo Bello e Capitão Adriano se aliaram para que Bernardo assumisse o "controle absolto dos negócios ilícitos da família".
Belo foi, segundo o MP, o mandante do assassinato de Bid. A intenção dele era consolidar o controle dos pontos de jogo do bicho na Zona Sul do Rio.
Leonardo Gouvêa da Silva, o Mad, e Leandro Gouvêa da Silva, o Tonhão são apontados como membros do "Escritório do Crime", que planejavam e executavam homicídios em troca de dinheiro.
Os promotores dizem ainda que Thyago Ivan e Carlos Diego eram seguranças de Bid e que teriam contribuído para o crime, enquanto Wagner Dantas seria um segurança de Bernardo Bello que também ajudou na execução do plano.