Medicamentos para diabetes e obesidade podem reduzir risco no câncer de mama, diz estudo

  • 15/05/2026
(Foto: Reprodução)
Medicamentos para diabetes e obesidade podem reduzir risco no câncer de mama, diz estudo Adobe Stock Mulheres com câncer de mama que usaram agonistas do receptor de GLP-1 — classe de medicamentos indicada para diabetes tipo 2 e obesidade — apresentaram menor risco de morte e de recorrência da doença em até 10 anos de acompanhamento, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos. A mortalidade por todas as causas foi aproximadamente 60% menor tanto em cinco quanto em dez anos entre usuárias de GLP-1 RA em comparação com não usuárias. E a redução foi ainda maior quando as usuárias foram comparadas a um grupo que utilizava insulina ou metformina. A pesquisa analisou dados de mais de 841 mil pacientes com câncer de mama atendidas em 68 organizações de saúde dos EUA entre 2006 e 2023. Após exclusões e ajustes estatísticos, os pesquisadores compararam grupos de mulheres que utilizaram agonistas de GLP-1 com pacientes que não usaram os medicamentos ou que receberam outros tratamentos para diabetes. Como o estudo é observacional, o as descobertas mostram associações em vez de causalidade. Por isso, os autores defendem a realização de ensaios clínicos randomizados para confirmar os achados. Vídeos em alta no g1 O que o estudo investigou O estudo avaliou se o uso de agonistas de GLP-1 estava associado a: menor mortalidade por todas as causas em 10 anos; maior sobrevida livre de recorrência do câncer; melhores probabilidades de sobrevida em 5 e 10 anos. Os agonistas de GLP-1 são medicamentos já utilizados para tratamento de diabetes tipo 2 e perda de peso. Segundo os autores, obesidade e diabetes estão associados a pior prognóstico no câncer de mama, incluindo maior risco de progressão da doença, recorrência e redução da sobrevida. Além disso, estudos pré-clínicos já haviam sugerido que esses medicamentos poderiam inibir o crescimento tumoral em alguns tipos de câncer, incluindo o de mama. Vídeos em alta no g1 Menor mortalidade entre pacientes com obesidade Entre as pacientes com obesidade, os pesquisadores compararam mulheres que utilizaram agonistas de GLP-1 com aquelas que não usaram a medicação. Após o pareamento estatístico, foram analisadas 1.610 pacientes. Segundo os resultados: a sobrevida em 5 anos foi de 97,4% entre usuárias de GLP-1, contra 93,2% entre não usuárias; em 10 anos, a taxa foi de 96% versus 88,6%. O uso dos medicamentos também foi associado a: menor risco de morte por qualquer causa; menor risco de recorrência do câncer. Na análise estatística, o risco de mortalidade foi 65% menor na análise não ajustada e permaneceu reduzido após ajustes adicionais. Já a associação com menor recorrência também continuou significativa após os ajustes estatísticos. Resultados em pacientes com diabetes tipo 2 Entre mulheres com diabetes tipo 2, os pesquisadores compararam pacientes que utilizaram agonistas de GLP-1 com aquelas tratadas com insulina ou metformina. Nesse grupo: a sobrevida em 5 e 10 anos foi de 96,9% entre usuárias de GLP-1; no grupo tratado com insulina ou metformina, as taxas foram de 82,3% e 76,4%, respectivamente. O estudo também encontrou associação entre o uso de agonistas de GLP-1 e: menor risco de mortalidade; menor risco de recorrência da doença. Comparação com outra classe de medicamentos Os pesquisadores também compararam os agonistas de GLP-1 com os inibidores de SGLT2, outra classe usada no tratamento do diabetes tipo 2. Nesse caso, não houve diferença significativa nos índices de mortalidade ou recorrência entre os grupos analisados. Nenhum estudo havia encontrado uma diferença de sobrevida tão grande associada ao uso de GLP-1 RAs em uma população de mulheres com câncer de mama ou qualquer outro tipo de câncer. Pesquisadores apontam possíveis explicações Na discussão do estudo, os autores afirmam que os resultados reforçam a hipótese de que os agonistas de GLP-1 possam oferecer benefícios além do controle glicêmico e da perda de peso. Segundo os pesquisadores, obesidade no momento do diagnóstico e ganho de peso durante o tratamento do câncer estão associados a piores desfechos clínicos. Os medicamentos da classe GLP-1 poderiam contribuir para perda de peso e melhora cardiovascular, fatores potencialmente relacionados aos resultados observados. Estudo tem limitações Os autores ressaltam que a pesquisa apresenta limitações importantes. Entre elas: o fato de ser um estudo retrospectivo (que analisa dados do passado); uso de banco de dados exclusivamente dos EUA; impossibilidade de comprovar causalidade; ausência de informações sobre adesão ao tratamento; falta de dados sobre perda de peso individual das pacientes. Os pesquisadores afirmam que os resultados são promissores, mas que ainda existem lacunas importantes sobre os mecanismos envolvidos e que novos estudos prospectivos serão necessários para confirmar os efeitos observados. Bernard F. Fuemmeler, um dos autores do estudo, explicou ao g1 que há três vias potenciais que merecem estudos adicionais: O excesso de obesidade pode levar a uma cascata de alterações metabólicas e celulares que impactam o crescimento tumoral, e a redução da obesidade por meio do uso de GLP-1s pode interromper algumas dessas vias. Os GLP-1s podem reduzir a inflamação em combinação com a redução da obesidade ou independentemente, e isso poderia desempenhar um papel na redução da recorrência. E os GLP-1s podem ter efeitos diretos na carcinogênese. O autor acrescentou ainda que não foram avaliadas as diferentes classes de GLP-1 porque o estudo foi uma análise inicial da relação entre GLP-1 e os desfechos do câncer de mama. Além disso, seria difícil fazê-lo, porque as classes de GLP-1 e medicamentos relacionados evoluem rapidamente. Entre as pacientes com diabetes tipo 2 e câncer de mama, foram comparadas aquelas com histórico de prescrição de GLP-1 com aquelas que usavam outros tipos de medicamentos para diabetes, incluindo insulina, metformina e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2). Foram observados desfechos mais favoráveis, incluindo maior sobrevida e menor probabilidade de recorrência, para aquelas que usavam GLP-1 em comparação com aquelas que usavam insulina e metformina. Também houve resultados mais favoráveis entre as que receberam prescrição de GLP-1 em comparação com as que receberam prescrição de SGLT2, mas as diferenças entre esses dois grupos foram menos expressivas. “Isso é interessante, pois ambos os medicamentos têm benefícios cardiometabólicos em pacientes com diabetes tipo 2, e os resultados podem indicar como esses medicamentos melhoram o funcionamento metabólico, em vez de terem um efeito anticancerígeno”, acrescentou Fuemmeler. A autora principal do estudo, Kristina L. Tatum, destaca ainda que, se estudos prospectivos e ensaios clínicos confirmarem as associações que os pesquisadores observaram, nossas descobertas poderão ajudar a fornecer orientações clínicas sobre o uso de terapias com agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1RA) em pacientes com câncer de mama e doenças metabólicas, incluindo o momento ideal e a personalização do tratamento. Os pesquisadores também afirmam que os dados de acompanhamento de 10 anos têm precisão limitada devido ao número reduzido de pacientes acompanhadas por períodos tão longos. Obesidade é fator de risco conhecido para o desenvolvimento de câncer A obesidade é um fator de risco conhecido para o desenvolvimento de câncer, sendo responsável por aproximadamente 40% de todos os cânceres diagnosticados nos Estados Unidos. Ela aumenta o risco de desenvolver 13 tipos diferentes de câncer, incluindo cânceres de esôfago, mama, endométrio e colorretal, destaca o professor e chefe do Departamento de Medicina Familiar e Saúde Comunitária da Escola de Medicina Perelman, Richard Wender. A obesidade também está associada a piores desfechos em vários cânceres, incluindo o câncer de mama. “Tanto o diabetes tipo 1 quanto o tipo 2 também estão associados ao câncer, embora a causalidade seja menos clara, em parte devido à sobreposição do risco relacionado à obesidade para diabetes tipo 2 e câncer”, diz Wender. O especialista acrescenta que os agonistas do receptor de GLP-1 transformaram profundamente o manejo da obesidade e do diabetes nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, os GLP-1 já representavam 7% de todas as prescrições nos EUA, incluindo 52% de todas as prescrições para manejo do diabetes. Por isso, entender a associação entre GLP-1 e câncer está se tornando uma das questões mais importantes na prevenção e no tratamento do câncer, conclui o médico. LEIA TAMBÉM: SUS vai oferecer teste genético para câncer de mama que identifica mutações hereditárias O câncer pode estar no DNA da sua família: maior estudo genômico do Brasil encontra mutação hereditária em 1 a cada 10 pacientes Câncer de mama: mitos, verdades e dicas para uma mamografia menos dolorosa

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/15/medicamentos-para-diabetes-e-obesidade-podem-reduzir-risco-no-cancer-de-mama.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes