'Pitou o dry?': troca de mensagens levou polícia a investigar homem com habeas corpus para cultivar maconha

  • 25/08/2026
(Foto: Reprodução)
No papel, a maconha era pra fim medicinal. Mas a polícia acredita que não passava de fachada para o tráfico de drogas A Polícia Civil encontrou mensagens em um celular que, segundo a investigação, indicariam a comercialização ilegal de produtos à base de maconha por um homem que tinha um habeas corpus preventivo para cultivar a planta em casa, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Thomás Masteguin foi um dos alvos de uma operação realizada pela polícia na região. Ele está entre as seis pessoas indiciadas a partir das investigações sobre possíveis desvios no uso das autorizações judiciais para cultivo de cannabis medicinal. Na casa de Thomás, os policiais apreenderam uma balança, maconha seca e o celular dele. De acordo com a polícia, o aparelho continha mensagens que indicavam a venda de produtos derivados da cannabis. Troca de mensagens levou polícia a acreditar que havia uso indevido do habeas corpus preventivo. Reprodução/TV Globo/Fantástico Em uma das conversas, Tomás pergunta a um cliente sobre o "dry" que havia enviado. O termo é usado para se referir a um tipo de haxixe, produzido a partir da maconha. Em outro trecho, o cliente afirma: "Ficamos chapados. Depois me manda o seu Pix". Tomás responde: "É uma pancada máxima e passa o valor". A investigação também aponta uma possível ligação entre Thomás e João Gabriel Mazucato Costa, que tinha um habeas corpus preventivo para cultivar maconha em casa. Segundo a polícia, João Gabriel se apresentava nas redes sociais como "Ben Grower" e dava dicas sobre cultivo de maconha. Oficialmente, ele comercializava um adubo conhecido como bokashi. A polícia afirma que os dois atuavam juntos. João Gabriel também foi alvo da operação e está entre os seis indiciados. Thomas Manteguin e João Gabriel Costa, conhecido nas redes sociais como 'Ben Grower' Reprodução/TV Globo/Fantástico O que permite o habeas corpus O habeas corpus preventivo para cultivo de cannabis é concedido pela Justiça para permitir que uma pessoa plante a maconha destinada ao próprio tratamento medicinal. A autorização é considerada "personalíssima", segundo a explicação apresentada pelo delegado que acompanha o caso, Éverson Contelli. Isso significa que o cultivo deve atender à finalidade prevista na decisão judicial. Quem possui o habeas corpus pode cultivar a cannabis, preparar o medicamento, usar o produto e transportá-lo. A autorização, porém, não permite a comercialização ou o fornecimento da produção a terceiros. Estufa encontrada na casa de um dos investigados. Reprodução/TV Globo/Fantástico A investigação da Polícia Civil foi realizada para verificar se pessoas que receberam esse tipo de autorização estavam cumprindo as regras. Em São Paulo, segundo a apuração do Fantástico, foram concedidos 2.469 habeas corpus preventivos. Na região de São José do Rio Preto, onde o caso aconteceu, a polícia verificou 27 autorizações. A corporação afirma que pretende ampliar esse tipo de investigação para outras regiões do estado. O que diz a defesa? A defesa dos investigados contesta essa interpretação. Vergínia Freitas, advogada dos dois, afirmou que o habeas corpus de cultivo nunca foi descumprido e que a investigação não apontou excesso na quantidade autorizada para cultivo. "Em nenhum momento esse HC foi descumprido, porque, na investigação, tanto no momento que a polícia entrou com o mandado dentro da residência deles, não foi encontrado nenhum limite extrapolado por eles." Polícia investiga se habeas corpus para cultivo de cannabis medicinal foi usado para venda de drogas em SP; Reprodução/TV Globo A advogada também afirmou que os envolvidos ainda não tiveram oportunidade de apresentar contraditório no processo. "Essa é uma questão que a gente tem que esclarecer dentro dos autos, porque, até o presente momento, nem o João, nem os outros que estão envolvidos tiveram a oportunidade de um contraditório", disse a defesa deles. Ela acrescentou que uma condenação anterior de João Gabriel Mazzucatto Costa estava relacionada ao cultivo para o próprio tratamento e sustentou que ele "não é traficante". Ao final da investigação, Thomás Masteguin, João Gabriel Mazzucatto Costa e outras quatro pessoas foram indiciados por tráfico de drogas. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1, no Globoplay, no Deezer, no Spotify, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, na Amazon Music ou no seu aplicativo favorito. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/08/25/pitou-o-dry-troca-de-mensagens-levou-policia-a-investigar-homem-com-habeas-corpus-para-cultivar-maconha.ghtml


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