Região Metropolitana de Sorocaba cresce, atrai moradores e enfrenta desafios ambientais
05/08/2026
(Foto: Reprodução) Eleições 2026: Conheça os desafios da Região Metropolitana de Sorocaba
A Região Metropolitana de Sorocaba, criada em 2014, reúne 27 municípios e cerca de 2,3 milhões de habitantes — aproximadamente 5% da população paulista. O crescimento populacional é quase o dobro da média estadual, segundo a Fundação Seade. Próxima da capital, tornou-se um dos principais polos industriais e econômicos do estado, mas ainda enfrenta desafios ambientais, especialmente a poluição do rio Tietê.
Sorocaba, cidade-sede da região, tem cerca de 700 mil habitantes e combina ritmo de metrópole com estilo de interior. Essa mistura atrai famílias que buscam qualidade de vida sem abrir mão de oportunidades de trabalho e serviços.
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Sorocaba, cidade-sede da região metropolitana, tem cerca de 700 mil habitantes
Reprodução / TV TEM
A busca por segurança é um dos principais motivos da migração para o interior. A estudante Nicole Funari conta que a família deixou São Paulo após sofrer um assalto. “Meus pais não se sentiam seguros de criar filhos lá”, diz.
"Ela não é tão grande quanto São Paulo e também ela não é tão pequena quanto outras cidades. Então, aí isso acaba sendo uma vantagem. Por conta do trânsito e tudo mais", complementa o estagiário Raphael Moreno.
A economia da região é diversificada. Empresas dos setores automotivo, metalúrgico, aeronáutico, alimentício e farmacêutico estão instaladas em Sorocaba e municípios vizinhos. O comércio e os serviços também crescem, enquanto agricultura e pecuária seguem fortes no campo.
Rodovias como Castelo Branco, Raposo Tavares e José Ermírio de Moraes cortam a região
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A localização estratégica é outro diferencial. Rodovias como Castelo Branco, Raposo Tavares e José Ermírio de Moraes cortam a região, facilitando o transporte de mercadorias e o deslocamento de trabalhadores.
O turismo também movimenta cidades como Salto, que abriga a Concha Acústica e o Complexo da Cachoeira. A natureza, as chácaras e os espaços de lazer atraem visitantes e reforçam a sensação de tranquilidade.
Rio Tietê: o maior desafio
Rio Tietê ajudou a expandir o território brasileiro e se tornou parte da identidade de dezenas de cidades paulistas
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Poucos rios tiveram tanta importância na história de um estado quanto o Tietê. Ele ajudou a expandir o território brasileiro e se tornou parte da identidade de dezenas de cidades paulistas. Mas ao longo do caminho, passou a carregar também um dos maiores passivos ambientais do país.
Ele nasce limpo em Salesópolis, mas acumula toneladas de poluição ao longo do percurso. Na região de Sorocaba, a água chega com espuma tóxica da capital. Apesar de receber afluentes mais limpos, o problema persiste.
Relatório da Fundação SOS Mata Atlântica mostra que menos de 2% dos pontos monitorados têm água de boa qualidade. A mancha de poluição diminuiu 33 km, mas a recuperação ainda está longe do ideal. O estudo reforça que despoluir o rio é responsabilidade do governo estadual e exige políticas de segurança hídrica.
Professora Vera Lúcia Parigini cresceu às margens do Rio Tietê
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Moradores lembram que o Tietê já foi ponto turístico e espaço de lazer. “Era atração da cidade, as pessoas vinham nadar e fazer piquenique”, recorda a professora Vera Lúcia Parigini, que cresceu às margens do rio em Itu, na antiga Usina São Pedro, onde o pai trabalhava.
Segurança hídrica
Especialistas reforçam que a poluição do rio Tietê não respeita limites geográficos. A água que chega à região de Sorocaba já percorreu dezenas de quilômetros, recebendo impactos de diferentes cidades.
O relatório final da Expedição Tietê da Fundação SOS Mata Atlântica revelou que nenhum trecho está totalmente livre de contaminação. A mancha de poluição diminuiu 33 km, mas a recuperação ainda está longe do ideal. Menos de 2% dos pontos monitorados tiveram água de boa qualidade.
Espuma tóxica da capital afeta o Rio Tietê na altura de Salto
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"É como se a gente tivesse feito um exame de sangue no rio ao longo de toda a sua extensão, mostrando como o comportamento das pessoas e o desenvolvimento das cidades no seu entorno é refletido na qualidade da água. E a gente precisa colocar esse desafio para as autoridades e para os futuros governantes que virão a partir dessas eleições. Porque a gente precisa promover segurança hídrica", afirma Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.
O Tietê não é apenas um rio que corta o estado. Ele atravessa memórias e gerações. "Meu pai tinha um pedaço de terra lá embaixo, aqui na beira do rio Tietê, e tinha o rio enche, formava a várzea, abaixava, então na várzea ele plantava arroz e verduras, e outras coisas também, como milho, alguma vez. E no mesmo tempo que fazer a plantação, fazer a pesca, para depois vender no mercado", relembra o aposentado Dimas Ribeiro.
O garoto Teodoro, de 10 anos, conhece o rio apenas pelas histórias contadas pelos adultos. Entre os sonhos de criança, está o desejo de ver o Tietê limpo e cheio de vida. “Gostaria que ele fosse bem limpo, que tivesse bastante escorregador para brincar”, diz. Um espaço de lazer e diversão, portanto, bem diferente da realidade atual marcada pela poluição.
Garça no Rio Tietê em Salto (SP)
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